Organizações empresariais associativas como intermediárias ESG
contribuições e limites para o desenvolvimento regional sustentável em Santa Catarina
DOI:
https://doi.org/10.26767/colquio.23.4373Palavras-chave:
Desenvolvimento regional, governança ESG, desenvolvimento sustentável, organizações intermediárias, federação industrialResumo
A transição para modelos produtivos sustentáveis depende de capacidades que ultrapassam os limites de empresas isoladas e exigem coordenação territorial entre organizações empresariais, poder público, instituições de ensino, trabalhadores e sociedade. Este artigo analisa como uma organização empresarial associativa atua como intermediária da governança ambiental, social e de governança (ESG) no desenvolvimento regional. Realizou-se estudo de caso qualitativo e documental da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), com base no Relatório de Sustentabilidade 2024, no Relatório Anual 2024 e em documentos institucionais complementares. A análise temática foi orientada por cinco dimensões: tradução de agendas de sustentabilidade, coordenação de atores, desenvolvimento de capacidades regionais, prestação de contas coletiva e tensões entre legitimidade e transformação substantiva. Os resultados indicam que a FIESC traduz referenciais globais para prioridades do território, articula iniciativas de descarbonização e governança da água, amplia capacidades por meio de educação profissional, inovação e saúde ocupacional e estrutura mecanismos formais de divulgação. Entretanto, predominam indicadores de esforço e alcance, enquanto permanecem limitadas as evidências longitudinais, a verificação independente e a participação de partes interessadas externas à indústria. Conclui-se que organizações associativas podem funcionar como intermediárias ESG regionais quando convertem agendas gerais em capacidades coletivas, mas sua contribuição ao desenvolvimento sustentável depende da materialidade das ações, da verificabilidade dos resultados, da participação plural e da demonstração de impactos territoriais.
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