Lagoas para quem?
um estudo sobre alguns traços da urbanização contemporânea do município de Osório (RS)
DOI:
https://doi.org/10.26767/colquio.23.4436Palabras clave:
Condomínio fechado; lagoas; mercantilização da natureza; paisagem; urbanização.Resumen
Este artigo baseia-se em pesquisa, em andamento, que busca analisar as implicações urbanísticas, socioambientais e econômicas da expansão de condomínios horizontais fechados no entorno das lagoas do município de Osório (RS). Parte-se da problematização do crescimento urbano em áreas ambientalmente sensíveis, marcado pela mercantilização da natureza e pela valorização imobiliária em detrimento dos bens comuns. Fundamentado em autores como Milton Santos, Henri Lefebvre e David Harvey, o estudo propõe uma reflexão crítica sobre os impactos da produção do espaço urbano na configuração do território. A investigação ancora-se em conceitos como paisagem, urbano e mercantilização da natureza, buscando compreender os processos que transformam ecossistemas frágeis em ativos de mercado. A expansão condominial no município de Osório, intensificada após 2010, revela um modelo de desenvolvimento excludente, baseado em discursos de progresso, mas distante das realidades sociais e ambientais. Esses empreendimentos, embora atraiam investimentos, aprofundam a fragmentação urbana, a exclusão socioespacial e a degradação ambiental, afetando usos tradicionais do solo e modos de vida locais. O estudo contribui para o debate sobre justiça territorial, direito à cidade e alternativas de urbanização mais equitativas e ambientalmente responsáveis, reafirmando a importância de políticas públicas que conciliem desenvolvimento urbano com proteção ambiental e inclusão social.
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