A gestão da interculturalidade em organizações do norte do país

um estudo de caso com imigrantes venezuelanos

Authors

DOI:

https://doi.org/10.26767/colquio.23.4131

Abstract

Este estudo analisa as principais barreiras e desafios vivenciados por imigrantes venezuelanos no processo de gestão intercultural e de inclusão no trabalho em empresas sediadas em Manaus (AM). Adotou-se abordagem qualitativa, com entrevistas semiestruturadas realizadas com oito trabalhadores venezuelanos; os relatos foram transcritos e examinados por Análise de Conteúdo, seguindo etapas de pré-análise, exploração, tratamento e interpretação, com organização dos achados em categorias temáticas. Os resultados indicam barreiras recorrentes: baixa proficiência em português, experiências de preconceito e dificuldades de reconhecimento de qualificações e experiências obtidas no país de origem. Ao mesmo tempo, surgem relatos de bom convívio com colegas brasileiros, embora com lacunas institucionais, em especial a ausência (ou desconhecimento) de políticas e rotinas específicas de gestão intercultural. Evidenciou-se que o desafio não se limita ao acesso ao emprego: após a contratação, persistem obstáculos de comunicação e olhares estigmatizantes, sugerindo a necessidade de ações estruturadas de RH (formação de gestores e equipes, apoio linguístico, tutoria/mentoria e protocolos de acolhimento e mediação cultural). Teoricamente, o estudo contribui ao campo da gestão da interculturalidade no contexto amazônico, ao enfatizar como dimensões linguísticas, simbólicas e institucionais moldam a inclusão cotidiana; praticamente, oferece insumos para desenho de políticas inclusivas e de desenvolvimento de pessoas em ambientes culturalmente diversos.

Author Biographies

Juliane Guimarães Fonseca, UFAM

Graduada em Administração pela UFAM

Luciana Lima Pinto, UFAM

Graduada em Administração pela UFAM

Marcelo Victor de Souza Oliveira, UFAM

Graduado em Administração pela UFAM

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Published

2026-04-13

Issue

Section

Artigos