Vivência, território e resistência
um protocolo de mediação territorial fundamentado na investigação-ação participativa na comunidade indígena Tururukari-Uka (AM)
DOI:
https://doi.org/10.26767/colquio.23.4427Palavras-chave:
Mediação territorial, Investigação-Ação Participativa, Povos Indígenas, Omágua/Kambeba, Desenvolvimento regionalResumo
As relações entre pesquisadores, instituições e comunidades indígenas desafiam a construção de conhecimentos e processos de intervenção sensíveis às especificidades socioculturais, aos diferentes sistemas de saberes e às assimetrias de poder. Este artigo objetiva propor uma estrutura metodológica para orientar processos de mediação territorial com comunidades indígenas da Amazônia Ocidental, fundamentada na Investigação-Ação Participativa (IAP). A pesquisa, qualitativa e participativa, foi desenvolvida com a comunidade Tururukari-Uka, do povo Omágua/Kambeba, em Manacapuru (AM). O percurso empírico compreendeu duas visitas presenciais e uma atividade on-line, envolvendo aproximadamente 30 participantes, entre lideranças, pajé, professora indígena, jovens e demais integrantes da comunidade. Utilizaram-se entrevistas, conversas coletivas, escuta ativa, observação e reconhecimento territorial, complementados por gravações, registros fotográficos e caderno de campo. As atividades foram dialogadas e realizadas com anuência da comunidade, incorporando validação e devolutiva ao processo investigativo. Os resultados demonstram que a mediação territorial constitui um processo relacional e situado de construção de interfaces entre sujeitos, instituições, saberes e projetos. A experiência possibilitou sistematizar um protocolo estruturado pela aproximação territorial, escuta, diálogo intercultural, reconhecimento dos saberes indígenas, negociação, participação nas decisões e ciclos de reflexão–ação–reflexão. Conclui-se que a articulação entre mediação territorial e IAP favorece processos de pesquisa e intervenção menos verticalizados. A principal contribuição consiste em um protocolo aberto e adaptativo, orientado à construção da pesquisa com os sujeitos do território, reconhecendo sua autonomia, capacidade de agência e participação na produção do conhecimento.
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