Características sociodemográficas e econômicas dos estabelecimentos agropecuários em regiões empobrecidas: o caso da Zona da Mata Mineira

Autores

  • Guélmer Júnior Almeida de Faria Professor do Programa de Pós-Graduação em Economia Doméstica (PPGED) da Universidade Federal de Viçosa https://orcid.org/0000-0003-2089-3064
  • Ana Louise de Carvalho Fiúza Professora do Departamento de Economia Rural da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
  • Natália Barbosa Rodrigues Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Palavras-chave:

Economia regional. Estrutura fundiária. Desenvolvimento regional. Produção agrícola. Zona da Mata Mineira.

Resumo

A Zona da Mata Mineira é uma região com profundas disparidades socioespaciais e territoriais como resultado do denso e difuso processo de desenvolvimento que não surtiu efeitos nas dinâmicas socioeconômicas. Denota-se uma heterogeneidade, com um considerável número munícipios com menos de 10.000 habitantes, marcada pela penduralidade entre campo-cidade, empobrecida e agrícola. Nosso objetivo, portanto, é caracterizar a dinâmica sociodemográfica e socioeconômica da Zona da Mata Mineira da década de 1970 aos dias atuais, assim como compreender as dinâmicas produtivas, as especificidades e as características dos seus estabelecimentos agropecuários. Adota-se uma perspectiva analítica, concatenada com uma pesquisa quantitativa, a partir de dados secundários do IBGE (SIDRA), IPEA (IPEADATA), Censo Agropecuário e IDHM, com pesquisa e análise bibliográfica e documental. Os resultados revelam a relação entre número de estabelecimentos e tamanho do estabelecimento ao verificar que os contrastes podem determinar a reprodução dos pequenos e médios estabelecimentos dos municípios. As ambiguidades e disparidades entre as microrregiões são resultados de uma ação combinada e contraditória das diversas práticas desenvolvimentistas socioeconômicas e de políticas desajustadas. 

Biografia do Autor

Guélmer Júnior Almeida de Faria, Professor do Programa de Pós-Graduação em Economia Doméstica (PPGED) da Universidade Federal de Viçosa

Doutorado em Desenvolvimento Social (UEMC). Pós-Doutorado em Ciências Sociais Aplicadas (PNPD/CAPES).   

Ana Louise de Carvalho Fiúza, Professora do Departamento de Economia Rural da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Doutorado em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (UFRRJ). Pós-Doutorado no Centro de Investigações em Ciências Sociais (Universidade do Minho, Portugal).   

Natália Barbosa Rodrigues, Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Graduação em Agronomia (UFV). Bolsista de Iniciação à Extensão.

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Publicado

2022-04-04

Edição

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Artigos