Impacto das indicações de procedência no desenvolvimento municipal

Autores

  • Karina Ferreira da Silva Matos Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural (UFV).
  • Marcelo José Braga Professor do Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentado (IPPDS) da UFV.
  • Pablo Murta Baião Albino Professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

DOI:

https://doi.org/10.26767/coloquio.v19i1,%20jan/mar.2340

Palavras-chave:

Indicação de Procedência; Desenvolvimento territorial; Certificação.

Resumo

As indicações geográficas podem promover o desenvolvimento territorial, por englobar e valorizar diversos aspectos regionais ligados a origem dos produtos, proporcionando ganhos econômicos, a valorização dos produtos e contribuindo para a competitividade da região. O desenvolvimento endógeno territorial utiliza as potencialidades do território englobando aspectos econômicos, ambientais, sociais e políticos, sendo que neste contexto se destaca as relações entre os atores locais em prol da obtenção de objetivos em comum, como o caso da certificação por Indicação de Procedência que não é fornecida de forma individual e isolada. O presente trabalho utilizou para análise especificamente os municípios mineiros que possuem o selo de indicação de procedência fornecido pelo instituto nacional de propriedade industrial. Assim sendo, o presente artigo tem por objetivo: “Mensurar o impacto da certificação de alimentos por Indicação de Procedência no desenvolvimento dos municípios mineiros”. Para a realização desta proposta utilizou-se a técnica estatística propensity score matching (PSM). As variáveis de análise foram as seguintes: valor adicionado bruto dos setores de administração, serviços, agropecuária e indústria. Estas variáveis foram obtidas no banco de dados do sidra (IBGE) e são referentes aos municípios mineiros no ano de 2017. Também se utilizou a variável: valor geral do Índice FIRJAN de desenvolvimento municipal. Para a realização deste procedimento utilizou-se o software de análise de dados Stata®. Os resultados apontam que o fato de os municípios possuírem algum tipo de Indicação de Procedência em seu território não proporcionou uma diferença significativa no desenvolvimento municipal, quando comparado com municípios que não possuem Indicação de Procedência.

Biografia do Autor

Karina Ferreira da Silva Matos, Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural (UFV).

Doutoranda em Extensão Rural na Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Marcelo José Braga, Professor do Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentado (IPPDS) da UFV.

Doutorado em Economia Rural (UFV) e Pós-Doutorado (University Of California, UCD, EUA). 

Pablo Murta Baião Albino, Professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Doutorado em Sistemas Flexíveis de Gestão (Universidad Pública de Navarra – UPNA) e Pós-Doutorado em Economia Aplicada (UFV).

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Publicado

2021-12-30

Edição

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Artigos