Limitação da emissão de gases de efeito estufa, desmatamento e crescimento econômico no Brasil: uma análise prospectiva

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DOI:

https://doi.org/10.26767/colóquio.v18i4.2205

Resumo

De acordo com o Painel Internacional sobre Mudança Climática (IPCC em inglês) o aquecimento global, pelas suas repercussões sobre o clima, representa uma séria ameaça à Humanidade. O objetivo do artigo é analisar as restrições ao crescimento econômico do Brasil colocadas pelas metas propostas pelo IPCC em 2014 para a limitação do aquecimento global, considerando a importância das emissões provocadas pelo desmatamento. Após a introdução, na segunda seção é realizada uma análise da emissão de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil entre 1990 e 2018. Na terceira seção é apresentado um modelo que relaciona a emissão de GEE com o Produto Interno Bruto (PIB) e a com a população. Na quarta seção são apresentados os cenários de crescimento econômico. Na quinta seção são discutidos os resultados das simulações realizadas por meio dos cenários. Conforme esses resultados, para atingir a meta do IPCC estabelecida em 2014, considerando a eliminação do desmatamento até 2050 a uma taxa constante, o conteúdo de carbono (toneladas de CO2 equivalente por PIB) da economia brasileira (descontado o desmatamento) deveria ser reduzido a 57,44%; 41,27%; 30,48% e 22,31% em relação a 2018, considerando, respectivamente, um crescimento do PIB por habitante de 0%, 1%, 2% e 3% ao ano, e um crescimento populacional anual de 0,35%. Conclui-se que a total eliminação do desmatamento no Brasil até 2050 é uma condição praticamente incontornável para que o país possa ter um crescimento econômico compatível com as metas de redução das emissões de GEE estabelecidas pelo IPCC em 2014.

Biografia do Autor

Benedito Silva Neto, Professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Políticas Públicas da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

Doutorado em Agricultura Comparada e Desenvolvimento Agrícola (INA-Paris-Grignon/França). Pós-doutorado no Institut des Sciences et Industries du Vivant et de l'Environment (Paris/França).

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2021-10-01

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Artigos