Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) na defesa da soberania alimentar

Andressa Bertoncello Valandro, Rosana Maria Badalotti, Cristiane Tonezer, Egon Roque Frohlich

Resumo


Os movimentos sociais, aqui entendidos como expressões de poder da sociedade civil organizada, têm sido objeto de diferentes discursos, tanto em nível acadêmico quanto dos governos, pressionados a produzir respostas às demandas destes atores sociais coletivos. No Brasil, diversos movimentos sociais emergem nas décadas de 1970 e 1980, juntamente com o processo de redemocratização do país, sendo que, na região do oeste catarinense, destaca-se o surgimento de movimentos relacionados ao campo, como é o caso do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), objeto deste estudo. O MMC caracteriza-se como um movimento popular, feminista e autônomo, que busca a valorização das mulheres do campo, em contraposição à cultura patriarcal, ainda visualizada na sociedade contemporânea. Aposta na construção de um projeto de agricultura camponesa e agroecológica na defesa da soberania alimentar. Através de revisão da literatura e documental, este artigo analisa a organização política do MMC na defesa de um modelo de desenvolvimento baseado nos princípios da soberania alimentar. Como resultados, evidencia-se que uma das principais bandeiras de luta do MMC refere-se à defesa da vida, considerando a busca por justiça, liberdade e solidariedade, com destaque para a construção de um projeto de agricultura agroecológica em contraposição ao modelo de agricultura convencional. A defesa da soberania alimentar pelo MMC assume questões específicas, como a preservação do solo, a recuperação de sementes crioulas, o plantio e manejo agroecológico, entendendo que não se trata apenas de um conceito, mas de uma estratégia política no enfrentamento ao sistema neoliberal globalizado.

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DOI: http://dx.doi.org/10.26767/coloquio.v15i1.768

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