Empresariamento urbano e city marketing: reflexões a partir da cidade de Belo Horizonte

Luciano dos Santos Diniz, Ana Carolina Pioto Magalhães, Paulo Fernandes Sanches Junior

Resumo


A globalização da economia e a inserção das cidades na competitiva rede da economia internacional tornam a disputa por investimentos financeiros, criação de empregos, atração de turistas e moradores solventes cada vez mais acirrada. A partir da implementação de técnicas de gestão do denominado “empresariamento urbano”, as cidades, na condição de mercadorias, são adequadas à ordem econômica mundial, mediante a afirmação de sua competitividade e respectivas vantagens locacionais. O plano de gestão estratégica e o city marketing surgem como importantes instrumentos do planejamento urbano atual, destinados a fomentar, respectivamente, o crescimento econômico e a “venda” da cidade no cenário internacional, mediante a promoção de uma imagem de cidade que projete os seus principais “produtos” no exterior. Diante deste cenário, este artigo busca analisar as práticas de city marketing adotadas pela gestão municipal de Belo Horizonte para a promoção da cidade no mercado interurbano. Para tanto, foi utilizada uma abordagem qualitativa na pesquisa, de natureza descritiva, recorrendo às pesquisas bibliográfica, documental e de levantamento para a coleta de dados. A pesquisa concluiu que Belo Horizonte está completamente inserida na lógica do “empresariamento urbano”, o que leva a gestão urbana a assumir objetivos que visam não somente o bem-estar da população, mas também as demandas dos detentores de capitais e possíveis investidores da cidade. Diante desta lógica, o poder público utiliza, fundamentalmente, as seguintes ferramentas do city marketing em Belo Horizonte: infraestrutura, branding, promoção de eventos e participação popular.

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DOI: https://doi.org/10.26767/coloquio.v18i1.1891

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