A continuidade do modo de vida camponês analisado sob a ótica dos signos do moderno e do não moderno e seu papel na permanência de moradores no meio rural: estudo da comunidade rural de Linha Acre – Cândido Godói (RS)

Rejane Inês Kieling

Resumo


O processo de modernização da agricultura vem sendo responsável por profundas transformações em comunidades rurais, como a comunidade de Linha Acre, comunidades que vivenciam um esvaziamento populacional uma vez que a terra passa a ser esteira de produção em escala. Tal cenário instiga pesquisas voltadas ao desenvolvimento rural devido à urgência de encontrar-se alternativas que viabilizem a continuidade dessas comunidades. Nesse sentido, o presente artigo norteia-se pela busca de elementos que sinalizem certo enraizamento dos atores à localidade, como uma forma de trazer novos olhares sobre seu entorno e compreensão de si mesmos. O olhar sugerido neste estudo se dá pela observação da presença de signos do moderno e do não moderno, que, ao se mesclarem, trazem novos significados e interpretações sobre o rural. Para alcançar tal intento, buscou-se literatura direcionada ao entendimento do moderno naquilo que ele rejeita, como as campesinidades presentes na memória do cotidiano, que são os signos do não moderno, o que comunga com vertentes que procuram compreender as relações do urbano e do rural na atualidade. Durante o período de convívio na comunidade pesquisada, foram ouvidos relatos orais que demostram, por meio da comida, das tradições e dos costumes, como estes indivíduos vêm inserindo os signos do moderno ao mesmo tempo que mantêm a memória dos antepassados.

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DOI: https://doi.org/10.26767/coloquio.v16i1.1198

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