O ENSINO DE MATEMÁTICA POR MEIO DE UMA METODOLOGIA ATIVA

Pedro André Pires Machado, Juliane da Paprosqui Marchi Da Silva, Leila Maria Araújo Santos, Lúbia Telma Garcia Wustrow Souza

Resumo


A partir do Movimento Matemática Moderna, ocorrido na década de 60, o ensino de Matemática na Educação Básica passou a utilizar os fundamentos da teoria dos conjuntos e da álgebra no desenvolvimento dos currículos. Atualmente, podemos perceber uma forte influência de tal movimento nas ementas da disciplina de matemática Brasil afora, estruturados de maneira compartimentada e linearmente organizada. Ao considerarmos docentes que seguem um livro didático como base para a construção de seus planos de aula, é provável que os mesmos não ousem modificar a ordem de apresentação dos conteúdos estabelecidos pelos programas. O estudo que se apresenta busca refletir sobre uma ‘flexibilização conceitual’ do ensino de matemática, que facilite a utilização das várias teorias da Educação na prática docente diária ancorado na neurociência, no currículo em espiral (Jerome Bruner) e nas metodologias ativas na educação (José Armando Valente). Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi o de analisar se o ensino de conceitos matemáticos pode ser trabalhado por meio de uma metodologia ativa baseada em habilidades1 e competências2. A pesquisa ocorreu em uma escola técnica situada na cidade de Santa Maria-RS e foi desenvolvida durante o ano letivo de 2018 com alunos do ensino médio integrado à educação profissional, perfazendo um total de 117 participantes. Primeiramente, os conteúdos de matemática a serem trabalhados foram estruturados na forma de habilidades e competências que os alunos deveriam desenvolver durante o ano, deste modo, vinte habilidades foram estudadas no primeiro semestre letivo e quatro competências, relacionadas às habilidades, no segundo semestre. Sendo assim, no decorrer do ano, os alunos eram convocados a entregar ‘produtos da aprendizagem’ que consistiam em atividades de livre escolha que tivessem conexões com as habilidades vistas em aula.  Existiam várias possibilidades para a confecção dos produtos, tais como: produção de vídeos, resumos, exercícios, mapas conceituais, poemas, canções, apresentações, etc. A avaliação das atividades foi realizada de forma qualitativa visando o desenvolvimento da autonomia de estudo e da capacidade de ‘aprender a aprender’ por parte dos envolvidos. A pesquisa foi, num primeiro momento, bibliográfica com o objetivo de buscar o embasamento teórico do ensino de matemática e, posteriormente, participante, pois se desenvolveu através da reflexão da própria prática docente de um dos autores. A técnica utilizada para a coleta de dados foi a observação participante nas turmas envolvidas e a análise destes dados foi qualitativa, buscando compreender como ocorreu a aprendizagem dos conceitos estudados. A pesquisa constatou que, através desta metodologia ativa de ensino-aprendizagem baseada em habilidades e competências, foi possível realizar conexões de conceitos aparentemente separados pelo cronograma de conteúdos e, pelo fato das aulas prezarem pelo desenvolvimento gradual dos níveis de dificuldade de cada assunto, constatou-se que os alunos com dificuldades na disciplina melhoraram o seu desempenho diminuindo, assim, os índices de reprovação. O estudo também mostrou que, através da utilização de habilidades e competências, o aluno se torna protagonista de sua aprendizagem, entendendo a matemática e sua aplicabilidade no dia-a-dia.


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Redin - Revista Educacional Interdisciplinar

ISSN: 2594-4576