Observação participante em uma Unidade de Emergência Hospitalar: os efeitos da presença
Resumo
O tema deste estudo é a atuação do psicólogo nos Serviços Hospitalares de Urgência e Emergência. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de delineamento descritivo, em que a coleta de dados ocorreu através da observação participante, utilizando um diário de campo como instrumento. O local escolhido foi a Unidade de Emergência de um hospital geral da Região Metropolitana de Porto Alegre (RS). O objetivo deste estudo é descrever os efeitos do processo de observação participante em uma Unidade de Emergência Hospitalar, bem como analisar a demanda pela escuta psicológica nesse setor. Como resultado, pacientes e equipe revelaram uma demanda de escuta. Essa identificação foi possível através da posição e implicação da pesquisadora participante. Estar ali, disponível, demonstrou efeitos, mediante as relações transferenciais que se estabeleceram. Quanto à equipe, a presença da pesquisadora também suscitou pedidos de ajuda e de escuta de um sofrimento relacionado ao trabalho, assim como efeitos de uma função continente das angústias. Portanto, a atuação do psicólogo nas Unidades de Emergência Hospitalar está na oferta da escuta e do suporte psicológico permeada pelo desafio de um contexto onde a palavra pouco circula.
Referências
Aguiar, K. & Lima, S. M. Observar. In: Fonseca, T., Nascimento, M. L. Maraschim, C. (Orgs.) (2012). Pesquisar na diferença: um abecedário. Porto Alegre: Editora Sulina.
Almeida, R. A. de & Malagris, L. E. N. (2015). Psicólogo da Saúde no Hospital Geral: um Estudo sobre a Atividade e a Formação do Psicólogo Hospitalar no Brasil. Psicol. cienc. prof., Brasília, 35, (3), 754-767. Recuperado em 15 de abril de 219, de https://doi.org/10.1590/1982-3703001312013
Amaral, R. A. do, Moraes, C. W. & Ostermann, G. T. (2010). Cuidando do cuidador: grupo de funcionários no Hospital Geral. Revista da SBPH, 13, (2), 270-281. Recuperado em 25 de setembro de 2019, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582010000200009&lng=pt&tlng=pt
Amaral, S. R C. & Oliveira, A. E. G. de. (2016). Grupo de reflexão com profissionais de uma Unidade de Terapia Intensiva Coronariana: um relato de experiência. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional [en linea], 41, 1-8, 2016. Recuperado em 18 de outubro de 2019, em https://doi.org/10.1590/2317-6369000130715
Angrosino, M. (2009). Etnografia e observação participante. Porto Alegre: Artmed.
Azevedo, E. C. (2016). Não há tempo... a perder: o tempo lógico na clínica da urgência subjetiva. 2016. 98f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Federal de São João del-Rei. Minas Gerais.
Batista, G. & Rocha, G. M. (2013). A presença do analista no Hospital Geral e o manejo da transferência em situação de urgência subjetiva. Rev. SBPH, Rio de Janeiro, 16, (2), 25-41, dez. 2013. Recuperado em 30 de setembro de 2019, em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582013000200003&lng=pt&tlng=pt.
Borges, E. S. (2009) Psicologia clínica hospitalar: trauma e emergência. São Paulo: Vetor.
Brasil. (2002). Portaria GM/MS Nº 2048 de 05 de Novembro de 2002. Ministério da Saúde.
Brasil. (2006). Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção às Urgências. Série E. Legislação de Saúde, 3 ed. Ampl. Brasília (DF): Ministério da Saúde.
Brasil. (2016). Resolução nº 510, de 07 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Socais. Conselho Nacional de Saúde.
Chemama, R. (1995). Dicionário de Psicanálise. Porto Alegre: Artes Médicas.
Chiattone, H. B. C. (2014). A Significação da Psicologia no Contexto Hospitalar. In: Angerami, V. A. (Org.). Psicologia da saúde: um novo significado para a prática clínica 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cengage Learning.
Coppe, A. A. F. & Miranda, E. M. F. (1998). O psicólogo diante da urgência no Pronto-Socorro. In: Angerami-Camon, V. A. (Org.). Urgências psicológicas no hospital. São Paulo: Pioneira.
Costa, C. K. (2017). A urgência subjetiva na urgência e emergência médicas: a inserção da escuta psicanalítica no pronto-socorro. 2017. 108 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia: Psicologia Clínica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo.
Costa, M. F., Costa-Rosa, A. da & Amaral, C. H. A. do. (2016). Uma psicologia precavida pela psicanálise: a clínica da urgência na unidade de pronto-socorro. Revista de Psicologia da UNESP. 15, (6). Recuperado em 29 de março de 2019, de http://seer.assis.unesp.br/index.php/psicologia/article/view/672.
Fernandes, M. H. (2011). Corpo. 4 ed. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Fernandes, M. H. (2017). As múltiplas narrativas do corpo no sofrimento contemporâneo. In: Perez, G. H., Ismael, S. M. C., Elias, V. de A. & Moretto, M. L. T. Tempo da vida e a vida do nosso tempo: repercussões na psicologia hospitalar. Rio de Janeiro: Atheneu.
Gatto, M. A. F. & Gonçalves, V. C. S. (2015). Sistema de atenção às urgências e emergências em saúde. In: Whitaker, I. Y. & Gatto, M. A. F. (Org.) Pronto-socorro: atenção hospitalar às emergências. Barueri – SP: Manole.
Lancman, S., Gonçalvez, R. M. de A. & Mângia, E. F. (2012). Organização do trabalho, conflitos e agressões em uma emergência hospitalar na cidade de São Paulo, Brasil. Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, 23, (3), 199-207. Recuperado em 12 de outubro de 2019, de https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v23i3p199-207
Lopes, R. de C. S., Vivian, A. G., Oliveira-Menegotto, L. M. de, Donelli, T. M. S. & Caron, N. A. (2007). A observação da relação mãe-bebê através do método Bick. In: Piccinini, C. A. & Moura, M. L. S. de. (Orgs.) Observando a interação pais-bebê-criança: diferentes abordagens teóricas e metodológicas. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Minayo, M. C. de S. (2014). O desafio do conhecimento: Pesquisa Qualitativa em Saúde. 14 ed. São Paulo: Hucitec-Abrasco.
Mohallem, L. N. (2003). Psicanálise e Hospital: um Espaço de Criação. In: Moura, M. D. (Org.). Psicanálise e hospital 3 – Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Rio de Janeiro: Revinter.
Mohallem, L. N. & Souza, E. M. do C. D. de. (2000). Nas vias do desejo...In: Moura, M. D. de. (Org.) Psicanálise e Hospital. 2 ed. Rio de Janeiro: REVINTER.
Moura, M. D. de. (2000). Psicanálise e Urgência Subjetiva. In: Moura, M. D. de. (Org.) Psicanálise e Hospital. 2 ed. Rio de Janeiro: REVINTER.
Oliveira-Menegotto, L. M. de, Menezes, C. C., Caron, N. A. & Lopes, R. de C. S. (2006). O método Bick de observação de bebês como método de pesquisa. Psicol. clin., 18, (2), 77-96. Recuperado em 12 de novembro de 2019, de https://doi.org/10.1590/S0103-56652006000200007
Paranhos, M. E., Werlang, B. S. G. & Stenzel, G. Q. de L. (2012). Intervenções psicológicas em unidades de emergência e urgência. In: Stenzel, G. Q. de L., Paranhos, M. E. & Ferreira, V. R. T. (Org.) A psicologia no cenário hospitalar: encontros possíveis. Porto Alegre: EdiPUCRS.
Poll, M. A., Lunardi, V. L. & Lunardi Filho, W. D. (2008). Atendimento em unidade de emergência: organização e implicações éticas. Acta Paulista de Enfermagem, 21, (3), 509-514. Recuperado em 30 de outubro de 2019, de https://doi.org/10.1590/S0103-21002008000300021
Romano, B. W. (2007). Princípios para a prática da psicologia clínica em hospitais. Ed. 7. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Rondon, M. A. (2018). Por um cuidado além da doença somática: A psicanálise no hospital. Dissertação (Mestrado) – UFRJ/IP/Programa de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica, 2018. 87f. Rio de Janeiro: UFRJ/IP.
Rosado, I. V. M., Russo, G. H. A. & Maia, E. M. C. (2015). Produzir saúde suscita adoecimento? As contradições do trabalho em hospitais públicos de urgência e emergência. Ciência & Saúde Coletiva [online], 20, (10). Recuperado em 10 de novembro de 2019, de https://doi.org/10.1590/1413-812320152010.13202014
Silva, M. C. C. (2016). Formando uma escuta analítica. J. psicanal., 49, (91), 145-155. Recuperado em 14 de novembro de 2019, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-58352016000200013&lng=pt&tlng=pt
Simonetti, A. (2018). Manual de psicologia hospitalar: o mapa da doença. 8 ed. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Turato, E. R. (2013). Tratado da metodologia da pesquisa clínico-qualitativa: construção teórico-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas. 6 ed. Petrópolis, RJ: Vozes.
Valladares, L. (2007, fev.). Os dez mandamentos da observação participante. Rev. bras. Ci. Soc., São Paulo, 22, (63), 153-155. Recuperado em 19 de março de 2019, de https://doi.org/10.1590/S0102-69092007000100012
Zimerman, D. E. (2007a). Fundamentos psicanalíticos: teoria, técnica e clínica: uma abordagem didática. Porto Alegre: Artmed.
Zimerman, D. E. (2007b). Fundamentos básicos das grupoterapias. 2 ed. Porto Alegre: Artmed.
Zimerman, D. E. (2008). Bion: da teoria à prática: uma leitura didática. 2 ed. Porto Alegre: Artmed.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Concedo a Revista Universo Psi o direito de primeira publicação da versão revisada do meu artigo, licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista).
Afirmo ainda que meu artigo não está sendo submetido a outra publicação e não foi publicado na íntegra em outro periódico e assumo total responsabilidade por sua originalidade, podendo incidir sobre mim eventuais encargos decorrentes de reivindicação, por parte de terceiros, em relação à autoria do mesmo.
Também aceito submeter o trabalho às normas de publicação da Revista Universo Psi acima explicitadas.
A submissão de um manuscrito à Revista Universo Psi autoriza a realização de eventuais correções de linguagem por ocasião da publicação, desde que não alterem o texto submetido.