IDENTIDADE DE GÊNERO E TRANSEXUALIDADES NA PSICANÁLISE: CONFRONTAÇÃO COM O ENIGMA QUE O OUTRO É

Helena Palavro Basso, Caroline Flores Zanin, Marina Lagunas, Joice Cadore Sonego

Resumo


Em nossa sociedade e cultura, há uma tendência a patologizar as subjetividades que não se inserem nos padrões socialmente construídos. Sendo assim, a sexualidade passou a classificar os indivíduos, fazendo suas práticas sexuais se tornarem identidades subjetivas, e se não houver congruência do sexo biológico do sujeito com o seu gênero, então este fugiria à norma. Logo, determinadas identidades, como as transexualidades, são excluídas e discriminadas pelo medo de que abalem a ordem social, estas identidades como que causando um motim aos estereótipos do ser masculino e feminino. Nesse contexto, para compreender como decorre a constituição do sujeito psíquico, foi realizada uma revisão narrativa da literatura, partindo-se da teoria freudiana até autores da atualidade, sendo que esses últimos confrontam a enorme diferença existente entre o sexo e a identidade. Assim, salientaram que ambas significações são instâncias distintas, porque a última está a nível social e histórico, como uma concepção de gênero, não sendo biologicamente determinado, podendo, desse modo, discordar do sexo anatômico. Espera-se que o presente estudo possa abrir espaço para novas e mais aprofundadas pesquisas acerca do tema, e sempre pelo viés despatologizante, já que artigos e livros mais antigos apresentam preconceitos e incompreensões em sua literatura.

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