MAIS ALÉM DO BULLYING: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE INTERVENÇÃO NAS ESCOLAS DO MUNICÍPIO DE TRAMANDAÍ/RS

Wilian Gomes da Silva, Gabriela Dotto Tarragô, Felipe Konflanz de Oliveira, Viviane Mantovani da Rosa, Simone Regina Sandri Modesti, Amanda Luiz Maciel

Resumo


O presente trabalho trata-se de um relato de experiência de estágio ocorrido no âmbito de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) no município de Tramandaí/RS. Versa sobre intervenções realizadas em duas escolas do município, tendo o bullying/cyberbullying como temáticas iniciais. As intervenções ocorreram entre Janeiro e Agosto de 2019, sendo a roda de conversa o dispositivo utilizado para dialogar com os estudantes do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental e os encontros ocorreram duas vezes na semana. Como corpus de análise, utilizou-se dos registros em Diário de Campo. Como operadores do pensar, foram utilizados referenciais balizados pela Psicanálise e Psicologia Social. Os achados apontam para situações vivenciais que ultrapassam os muros do território escolar, sendo a violência a principal marca desse registro, culminando em práticas de bullying/cyberbullying como respostas subjetivas ao experienciado na vida cotidiana.

Palavras-chave: bullying; cyberbullying; psicanálise; psicologia social; roda de conversa.


Texto completo:

PDF

Referências


Andrade, C. B. (2015). Violências e Juventudes: processos de subjetivação no contexto escolar. Bol. Psicol., 65(142), 15-28.

Andrade, V. L. (2019). Trabalho de Campo – Notas para iniciantes em Antropologia. Rev. Sem Aspas, 8(1), 103-114.

Arcie, J. B., Arita, C. M., Herman, J., Castro, V. R., & Contreras, H. S. H. (2016). Cyberbullying: ações pedagógicas de caráter preventivo no contexto escolar. PsicoFAE, 5(5), 89-98.

Azevedo, J. C., Miranda, F. A. & Souza, C. H. M. (2012). Reflexões acerca das estruturas psíquicas e a prática do cyberbullying no contexto da escola. Rev. Bras. Ciênc. Comum., 35(2), 247-266.

Azevedo, J. C., Miranda, F. A., Pinto, J. J. V., & Medeiros, C. H. S. (2011). Prática do ciberbullying e seus reflexos na educação. Rev. Int. Investig. Cienc. Soc., 7(1), 91-110.

Bazzo, J. (2017). Da tortuosa elucidação do trágico: a agência da noção de bullying em meio a eventos extremos de violência juvenil. Iluminuras, 18(44), 38-73.

BBC News. (2016). “Rezei para meu filho morrer”: Mãe de atirador de Columbine relembra tragédia. Disponível em 23 novembro, 2019, de https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160215_mae_columbine_mdb.

Borges, J. M. C. (2017). Jovens em tempos de cólera: descaminhos do afeto. Estudos de Psicanálise, 48, 53-60.

Brasil. Lei n. 10.216, de 06 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Brasília.

Brasil. Portaria n. 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília.

Brasil. Portaria n. 336, de 19 de fevereiro de 2002. Brasília. Dispõe sobre os Centros de Atenção Psicossocial - CAPS, para atendimento público em saúde mental.

Broide, J. (2010). Adolescência e Violência: criação de dispositivos clínicos no território conflagrado das periferias. Rev. Psicol. Polít., 10(19), 95-106.

Cabistani, R. M. O. (2013). A educação no fio do discurso sobre a violência. Correio da APPOA, 220, 17-23.

Canavêz, F. (2015). A escola na contemporaneidade: uma análise crítica do bullying. Psicol. Esc. Educ., 19(2), 271-278.

Conselho Nacional de Saúde. (2016). Resolução n. 510/2016. Recuperado em 14 de abril de 2020, de http://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2016/Reso510.pdf

Cossalter, M. (2012). O praticante de bullying à luz de Freud. Trama Interdisciplinar, 3(2), 179-184.

Coutinho, L. G. & Pisetta, M. A. A. M. (2014). Psicanálise e Educação nos Limites da Palavra. Interação em Psicol., 18(3), 365-371.

Coutinho, L. G. (2015). O adolescente e a educação no contemporâneo: o que a psicanálise tem a dizer. Cad. Psicanal., 37(33), 155-174.

Coutinho, L., & Osorio, B. (2015). Conversações com adolescentes na escola: bullying ou mal estar nas relações. Educ. Foco., 20(1), 205-228.

Crochík, J. L. (2012). Fatores psicológicos e sociais associados ao bullying. Rev. Psicol. Polít., 12(24), 211-229.

Custódio, A., & Silva, C. R. C. (2015, novembro). A intersetorialidade nas políticas sociais públicas. Apresentação de Trabalho no I Seminário Nacional Demandas Sociais e Políticas Públicas na Sociedade Contemporânea. Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, UNISC. Recuperado em https://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/snpp/article/view/14264.

Freire, A. N., & Aires, J. S. (2012). A contribuição da psicologia escolar na prevenção e no enfrentamento do Bullying. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, 16(1), 55-60.

Freud, S. (1996). Sobre o Narcisismo: uma introdução. In J. Strachey. Edição Standard das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. 14, pp. 75-113). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1914).

Guerra, V. M. L., & Klas, S. S. (2017). Um olhar sobre o cyberbullying: entre a periferia social e o preconceito, o percurso identitário do sujeito. Caderno de Estudos Culturais, 9(17), 195-212.

Gurski, R. (2012). Violência Juvenil e Laço Social Contemporâneo. Educ. Real., 37(1), 233-249.

Isolan, L. (2014). Bullying escolar na infância e adolescência. Revista Brasileira de Psicoterapia, 16(1), 68-84.

Libardi, S. S., & Castro, L. R. (2014). Violências “sutis”: jovens e grupos de pares na escola. Fractal Rev. Psicol., 26(3), 943-962.

Lisboa, C., Braga, L. L., & Ebert, G. (2009). O fenômeno bullying ou vitimização entre pares na atualidade: definições, formas de manifestação e possibilidades de intervenção. Contextos Clínicos, 2(1), 59-71.

Lopes, R., Nascimento, R. & Lopes, P. (2019). Eu na Escola: 50 Perguntas para melhor entender o Estudante. São Paulo: Matrix Editora.

Melo, M. C. H., & Cruz, G. C. (2014). Roda de conversa: uma proposta metodológica para a construção de um espaço de diálogo no Ensino Médio. Imagens da Educação, 4(2), 31-39.

Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização (2010). Acolhimento nas práticas de produção de saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde/Secretaria de Atenção à Saúde/Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização.

Ornellas, M. L. S. (2012). Bullying: ato esburacado na angústia. Revista Espaço Acadêmico, 11(131), 1-7.

Pinho, G. S. (2011). O sujeito do bullying. In Associação Psicanalítica de Porto Alegre (Org.), Autoridade e Violência (241-259). Porto Alegre: APPOA.

Seixas, S. R., Fernandes, L., & Morais, T. (2016). Bullying e Cyberbullying em idade escolar. Journal of Child and Adolescent Psychology, 7(1-2), 205-210.

Silva, A. H. B., & Araújo, L. S. (2015). Bullying: uma expressão da questão social. Serviço Social & Realidade, 24(2), 127-142.

Silva, E. (2017). Combate ao bullying por meio dos princípios e práticas da justiça restaurativa. Curitiba: Editora Intersaberes.

Vasques, C. K.; Moschen, S. & Fröhlich, C. B. (2014/outubro). Diálogos entre Psicanálise e Educação Especial: uma experiência em formação. Apresentação de Trabalho no ANPED SUL, Florianópolis, SC, Brasil, X. Recuperado em http://xanpedsul.faed.udesc.br/arq_pdf/1738-0.pdf.

Vianna, G. R., & Farias, F. R. (2015). A Experiência Traumática do desamparo e impotência: circuitos repetitivos da violência. Cad. Psicanal., 31(34), 205-222.

Wendt, G. W., & Lisboa, C. S. M. (2014). Compreendendo o fenômeno do cyberbullying. Temas Psicol., 22(1), 39-24.

Xavier, M. G. M. (2015). Psicanálise e Educação: um olhar sobre o fenômeno do bullying. Revista Exitus, 5(1), 154-169.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.